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Endless Road

A estrada, finalmente, apresentava um bom piso.

Tinham sido meses e meses de obras mas a concessionária fez um bom trabalho e o asfalto, completamente regular, convidava a pisar o acelerador com força.

E eu estava atrasado. Muito atrasado.

No conta-quilómetros os algarismos iam saltando com sofreguidão e, no velocímetro, parecia existir um íman que, constantemente, atraía o ponteiro para o canto direito.

O flash do radar já tinha ficado um bom par de quilómetros para trás.

Apesar do sol do fim da tarde o seu clarão tinha-me aturdido. A qualquer momento devia encontrar um carro-patrulha… ou talvez não!

— Ah! Falem no diabo… ele aparece!

Ali estava, encostado fora da estrada. O homem da GNR levantou o braço direito e acenou na minha direcção.

Foi muito rápido.

O limite de velocidade do local, 90 Km/H, estava quase duplicado por mim!

Acenava? O GNR acenava-me?!

Simpático! Já ouvira dizer que, actualmente, as forças de segurança estão mais cordiais, tratam o cidadão com maior deferência…

E continuei a pisar o pedal mais à direita. E continuava atrasado.

— Ai, que não chego lá a tempo!

As árvores iam desfilando e ficando para trás a uma velocidade estonteante.

Agora entrava numa zona de rectas. Extensas rectas.

Ao longe, a mais de 300 metros, vi como, novelos de lã, de cor branca, atravessavam a estrada.

— Novelos?! Na estrada…!

4ª, 3ª e, com relutância, a 2ª mudança entrou.

No pedal por baixo do pé direito senti a vibração provocada pelo Sistema Anti-Bloqueio que, ajudado pela caixa de velocidades, fazia parar o veículo de construção e montagem franco-germano-nipónica. E ele parou.

À frente, a última ovelha do rebanho atravessava a estrada seguida pelo pastor. Pastor que erguia um pau acima da cabeça e o agitava na minha direcção. E pronunciava algumas palavras que, dentro do carro, eu não consegui perceber.

— Também este me saúda e me diz adeus? As pessoas estão muito simpáticas comigo!

E continuei. Estava agora perto.

De facto, já avistava o mar. Ali estava ele…

Rapidamente encostei o carro, puxei da máquina fotográfica e apontei-a para a linha do horizonte, sobre o mar.

Outros flashes disparavam agora. A máquina digital ia produzindo uma luz a cada foto que eu tirava.

E eu ainda tinha chegado a tempo.

Tinha conseguido chegar… ao por do sol!

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